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O Oleiro e o Barro | Por George Whitefield

 

“A palavra do SENHOR, que veio a Jeremias, dizendo: 2 Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. 3 E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas, 4 Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. 5 Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 6 Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel” (Jeremias 18:1-6)


Em diversas ocasiões e de diversas maneiras, agradou a Deus falar aos nossos pais pelos profetas, antes de falar a nós nestes últimos dias por Seu Filho. Para Elias, Ele se revelou através de uma voz tranquila. Para Jacó, por um sonho. Com Moisés, falou face a face. Em alguns momentos Ele se agradou de enviar um profeta escolhido em alguma tarefa especial; e enquanto ele era assim usado, este profeta era agraciado por Deus com uma mensagem particular, a qual era ordenado a anunciar a todos os habitantes da terra. Um exemplo muito instrutivo deste tipo de mensagem nós temos registrado nesta passagem que acabamos de ler para vocês. O primeiro versículo nos informa que foi uma palavra, ou mensagem, que veio imediatamente do Senhor para o profeta Jeremias. Mas não somos informados em que momento, ou como o profeta foi direcionado quando ela veio. Talvez, enquanto ele estava intercedendo por aqueles que não orariam por si mesmos. Talvez, ao amanhecer, quando o profeta ainda estava dormindo ou meditando em sua cama.

Mas o que interessa é que a palavra veio a ele, dizendo: “Levanta-te”. E o que ele deveria fazer ao se levantar? Ele tinha “que descer à casa do oleiro” (e o profeta sabia onde encontrá-lo) “lá [diz o grande Yahwéh] te farei ouvir as minhas palavras”. Jeremias não procura carne e sangue, ele não se opõe dizendo que estava escuro ou frio, ou deseja que possa receber a mensagem ali mesmo, mas sem a menor hesitação imediatamente é obediente à visão celestial. “E [disse Jeremias] desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas”. Assim que ele estava entrando na casa ou na oficina, o oleiro, ao que parece, tinha um vaso em sua roda. E havia algo tão extraordinário nisso, que deveria ser introduzido com a palavra “Eis”? Que sonhador visionário ou entusiasta supersticioso Jeremias seria considerado mesmo por muitos que liam suas profecias com aparente respeito, ele estaria vivo agora? Mas esta não foi a primeira vez que Jeremias ouviu a Deus desde o Céu desta maneira. Ele prontamente obedeceu; e se eu e você tivéssemos o acompanhado até a casa do oleiro, creio que o veríamos em silêncio e aguardando intensamente o seu Grande e Sábio Comandante para saber por que o enviou ali. Parece-me que o vejo com total atenção. Ele notou que o vaso era de “barro”, e aconteceu que quando o oleiro o segurou entre as mãos e girou a roda, a fim de trabalhá-lo de alguma forma particular, “quebrou-se na mão do oleiro”, e consequentemente ficou impróprio para o uso intencionado. E o que faz ele então com o vaso estragado? Estando o vaso tão desfigurado, suponho que o oleiro, sem a menor injustiça, poderia tê-lo jogado de lado e ter tomado outra quantidade de argila em seu depósito, ele não fez isso, mas, “tornou a fazer dele outro vaso”. E por acaso o oleiro pede conselho aos seus domésticos e lhe pergunta que tipo de vaso eles o aconselham a fazer? Não, de forma alguma. Ele fez um vaso novo “conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer”.

“Então”, acrescenta Jeremias, enquanto estava no caminho do dever, estava mentalmente suplicando, Senhor, o que Senhor quer que eu faça? “Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro [deformado, estragado e impróprio para o primeiro propósito designado], assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel”. Finalmente, Deus dá a Jeremias o seu sermão: curto, mas pungente, o qual deveria ser anunciado a toda a casa de Israel, aos príncipes, aos sacerdotes e ao povo: curto, mas pungente, ainda mais afiado do que uma espada de dois gumes.

“O quê?”, diz o soberano Senhor do Céu e da Terra, “me seria negado o privilégio de um oleiro comum? Não posso fazer o que Eu quero com que é Meu? Eis que o barro está nas mãos do oleiro, assim vós estais nas minhas mãos, ó casa de Israel. Eu vos criei e formei em povo, e vos abençoei acima de qualquer outra nação debaixo do céu; assim como o oleiro poderia simplesmente ter jogado de lado o seu vaso de barro estragado, assim também Eu poderia ter lhe deserdado da assembleia e lhe feito deixar de ser povo. Mas, o que Eu poderia fazer se Eu passasse sobre as montanhas de sua culpa, curasse suas feridas, reavivasse a minha obra neste tempo e lhe desse um fim grande e maravilhoso? Eis, que o barro está nas mãos do oleiro, e está à sua disposição, ou para ser destruído ou para ser transformado em outro vaso, assim vós estais em minhas mãos, ó casa de Israel: Posso tanto rejeitar-lhe e, assim, lhes arruinar ou revisitar e revivificar-lhes de acordo com a minha soberana vontade e prazer, e quem pode me dizer: Que fazes?”.

Esta parece ser a interpretação genuína e a intenção primária dessa bela porção da Escritura Sagrada. Mas considerando todos os questionamentos sobre o seu propósito principal ou significado, vou agora mostrar que aquilo que o glorioso Yahwéh diz aqui em geral para a casa de Israel é aplicável a cada indivíduo da humanidade em particular. E como eu presumo que isso pode ser feito sem torcer a Escritura, por um lado, ou forçar o seu significado original por outro. E para não me deter por mais tempo, deduzirei e me esforçarei para explicar da passagem assim explicada e parafraseada, estes dois tópicos gerais.

EM PRIMEIRO LUGAR, provarei que todo homem que nasceu naturalmente da descendência de Adão, é à vista dAquele que tudo vê e que perscruta os corações, apenas como um “caco de barro arruinado”.

EM SEGUNDO LUGAR, que, sendo assim, o homem natural necessariamente deve ser regenerado; e sob essa linha de raciocínio também indicaremos por que agência essa poderosa mudança deve ser feita.

Essas particularidades serão discutidas de maneira que serão naturalmente levadas a uma breve palavra de aplicação.


I. Buscarei provar que todo homem que nasceu naturalmente da descendência de Adão, é à vista dAquele que tudo vê e que perscruta os corações, apenas como um “caco de barro arruinado”.

Agradem-se em observar que cada homem NATURALMENTE nascido na descendência de Adão, ou todo homem desde a Queda; pois se considerarmos o homem como ele primeiro saiu das mãos de seu Criador, ele estava longe de estar em tal melancólica circunstância. Não, o homem era originalmente exaltado; ou como Moisés, aquele escritor sagrado, declara: “E criou Deus o homem à sua imagem” [Gênesis 1:27a]. Certamente nunca tanto foi expresso em tão poucas palavras; que muitas vezes me faz ficar impressionado como esse grande crítico Longino, que tão justamente admira a dignidade e a grandeza do relato de Moisés sobre a criação, e “E disse Deus: Haja luz; e houve luz” [Gênesis 1:3]. Eu me pergunto porque ele não leu um pouco mais e concedeu apenas uma aclamação desta curta, porém inexplicavelmente nobre e abrangente descrição da formação do homem: “criou Deus o homem à sua imagem”. Com um profundo senso dessa bondade maravilhosa, e sabendo que ele poderia gravar o mesmo em um sentido mais profundo em nossas mentes, ele imediatamente acrescenta: “à imagem de Deus o criou” [Gênesis 1:27b]. O conselho adorável da Trindade foi aludido nesta importante ocasião: Deus não disse: Haja um homem, e houve um homem, mas Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” [Gênesis 1:26]. Esse é o relato que os vivos oráculos de Deus nos dão do homem em seu primeiro estado; mas é muito notável a transição do relato de sua criação para o de sua miséria, o qual é muito rápido, e por quê? Por uma razão muito boa, porque ele logo caiu de sua dignidade primitiva; e por essa Queda a imagem divina foi tão desfigurada, que agora deve ser valorizada apenas como algo antigo, como o valor de uma medalha antiga, apenas por causa da imagem e da inscrição uma vez impressa sobre ela; ou deve ser valorizada por causa de uma segunda impressão divina, que, pela graça, ainda pode receber.

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A Conversão de Saulo, por George Whitefield

 

“Saulo, porém, aumentava mais em força, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que Jesus era o Cristo.” (Atos 9:22)


É uma verdade inquestionável, por mais paradoxal que pareça para os homens naturais, que "todo aquele que quiser viver piedosamente em Cristo Jesus, padecerá perseguições”. E, portanto, é muito notável, que o nosso bendito Senhor, em Seu glorioso Sermão do Monte, depois de ter declarado os que são bem-aventurados — que eram os pobres em espírito, mansos, puros de coração, e semelhantes — acrescenta imediatamente (e gasta nada menos que três versos nesta bem-aventurança) "Bem-aventurados são os perseguidos por causa da justiça” [...]. Há uma inimizade irreconciliável entre a semente da mulher e a semente da serpente. E se não somos do mundo, mas mostramos por nossos frutos que pertencemos ao número daqueles a quem Jesus Cristo escolheu deste mundo, o mundo nos odiará por isso. Isso é verdade tanto na vida de cada Cristão em particular, como na vida de cada igreja Cristã, em geral. Durante alguns anos temos ouvido pouco de uma perseguição pública: Por quê? Porque pouco da piedade tem prevalecido entre todas as denominações. O valente tem tido plena posse da maioria dos corações dos professos, e os tem deixado descansar em uma falsa paz. Mas podemos ter certeza, quando Jesus Cristo começar a reunir Seus eleitos de forma maravilhosa, e abrir uma porta eficaz para a pregação do Evangelho eterno, a perseguição vai se inflamar, e Satanás e seus emissários farão o seu melhor (embora tudo em vão) para impedir a obra de Deus. Assim foi nos primeiros séculos, é nos nossos dias, e assim será, até o fim dos tempos.

Cristãos e igrejas Cristãs devem então esperar inimigos. A nossa principal preocupação deveria ser em aprender como nos comportarmos em relação a eles de maneira Cristã; pois, a menos que tenhamos muito cuidado, vamos amargurar nossos espíritos, e agiremos de maneira incompatível como seguidores do Senhor, “o qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava”; “como um cordeiro diante de seus tosquiadores fica mudo, assim Ele não abriu sua boca”. Mas, qual motivo deve nos levar a este temperamento tão abençoado? Além da operação imediata do Espírito Santo em nossos corações, não conheço nenhuma consideração mais propícia para nos ensinar a paciência com os nossos perseguidores mais hostis, do que esta: “De acordo com o que sabemos, algumas das pessoas que agora estão perseguindo podem ser eleitas desde a eternidade por Deus, e chamadas para edificar e construir a igreja de Cristo”.

 

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Novo Nascimento, por George Whitefield

 

“Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura.” (2 Coríntios 5:17)


A doutrina da nossa regeneração ou novo nascimento em Cristo Jesus, embora uma das mais fundamentais da nossa santa religião, embora tão claramente e tantas vezes afirmada nos escritos sagrados, “de modo que até aquele que corre possa ler”, e seja como uma dobradiça na qual a salvação de cada um de nós está firme e se move, e um ponto também em que todos os Cristãos sinceros, de todas as denominações, concordam; ainda assim, é tão pouco considerada e compreendida por experiência pela maioria dos que a professam; de forma que se fôssemos julgar a veracidade disto, pela experiência da maioria dos que se dizem Cristãos, estaríamos aptos a imaginar que “não tinham ouvido tanto” que houvesse algo como a regeneração. É verdade que os homens, em sua maioria, são ortodoxos nos artigos comuns de seu credo; eles creem que “há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo”, e que não há outro nome dado debaixo do céu mediante o qual eles possam ser salvos, além dEle. Mas, então diga-lhes que eles devem ser regenerados, que eles devem nascer de novo, que eles devem ser renovados no próprio espírito, nas faculdades mais íntimas de suas mentes, antes que possam realmente chamar a Cristo de “Senhor, Senhor”, ou tenham uma evidência de qualquer participação nos méritos de Seu precioso sangue; e eles estão prontos para dizer como Nicodemos: “Como pode ser isso?”, ou como os atenienses, em outra ocasião, “Que quer este falador dizer? Parece ser um pregador de doutrinas estranhas”, porque nós lhes pregamos a Cristo, e o novo nascimento. Que eu possa, portanto, contribuir no sentido de sanar o erro fatal de tais pessoas, que separaram o que Deus uniu, e em vão pensam que são justificados em Cristo, ou que têm seus pecados perdoados, e Sua perfeita obediência imputada a eles, quando eles não são santificados, sua natureza não mudou, e não foi feita santa, buscarei explicar as palavras do texto da seguinte maneira:

PRIMEIRO, devo esforçar-me para explicar o significado de estar em Cristo: “Se alguém está em Cristo”.

EM SEGUNDO LUGAR, o que devemos entender por ser uma nova criatura: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura”.

EM TERCEIRO LUGAR, apresentarei alguns argumentos para confirmar a afirmação do apóstolo. E

EM QUARTO LUGAR, extrairei algumas conclusões do que foi falado, e concluirei com algumas palavras de exortação...

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O Método da Graça, por George Whitefield

 

 

“E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz”. (Jeremias 6:14)


Assim como não há maior benção do que Deus dar a uma nação ou povo ministros fiéis, sinceros e retos, a maior maldição que Deus pode, eventualmente, dar a um povo neste mundo, são guias cegos, não-regenerados, carnais, mornos e incapazes. Assim, temos visto que em todas as épocas tem havido muitos lobos em pele de cordeiro que cobrem paredes com cal, e que profetizam coisas que Deus não ordenou. Como foi no passado, assim é hoje; há muitos que corrompem a Palavra de Deus e a aplicam enganosamente. Isto aconteceu de maneira especial no tempo do profeta Jeremias; e ele, fiel ao seu Senhor, o Deus que o chamou, não falhou em denunciá-los, dando testemunho desse Deus, em cujo nome falava. Se você ler sua profecia, descobrirá que ninguém falou mais contra tais ministros do que Jeremias, e especialmente no capítulo do qual o versículo acima foi retirado, ele fala severamente contra eles, acusa-os de vários crimes, particularmente de avareza: ele diz no versículo 13, “porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à avareza; e desde o profeta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade”. E então, nas palavras do texto, de uma forma muito especial, ele exemplifica como tinham procedido falsamente, como eles se comportaram traiçoeiramente para com os pobres: diz "E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz”.

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Uma Carta de George Whitefield a John Wesley Sobre a Doutrina da Eleição

 

Prefácio

 

Estou muito bem ciente de que diferentes efeitos esta publicação da presente carta contra o sermão do querido Sr. Wesley produzirá. Muitos dos meus amigos que são árduos defensores da redenção universal serão imediatamente ofendidos. Muitos dos que são zelosos, do outro lado serão muito alegrados. Aqueles que são mornos, em ambos os lados, e são levados por raciocínio carnal, desejarão que esse assunto nunca tivesse sido trazido em debate. As razões pelas quais iniciei a carta, eu acho que são suficientes para corresponder a toda a minha conduta aqui. Desejo, portanto, que aqueles que sustentam a eleição não queiram triunfar, ou fazer uma festa, de um lado (pois eu detesto tal coisa) e que aqueles que têm preconceito contra esta doutrina, não sejam tão ofendidos, por outro lado. Conhecidos de Deus são todos os Seus caminhos, desde o início do mundo. O grande dia desvelará por que o Senhor permite que o caro Sr. Wesley e eu tenhamos uma maneira diferente de pensar. No momento, eu não farei nenhuma investigação sobre esse assunto, além do relato que ele mesmo deu sobre isso na seguinte carta, que recentemente recebi de suas próprias mãos queridas:
 

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