Textos

 

A Interpretação das Escrituras, por A. W. Pink • Caps 1 e 2

 

Prefácio


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“As Sagradas Escrituras são a única, suficiente, correta e infalível regra de todo conhecimento, fé e obediência salvíficos”.[1] Esta frase é o grande prefácio e fundamento de toda a Confissão Batista. Uma compressão correta desta gloriosa afirmação determinará a piedade e veracidade da nossa fé e vida Cristãs.


Deus nos deu um Livro de Livros, obviamente Ele queria que o lêssemos, entendêssemos e praticássemos o que entendemos. Devido a isso os Cristãos deveriam amar a leitura e estar entre os melhores leitores. Mas quão diferente é a nossa realidade! O “Cristão comum” dos nossos dias entende pouco ou quase nada de Bíblia, não gosta de ler, frequentemente não consegue compreender o que lê, é um péssimo leitor. Irmãos, não convém que isso seja assim! Precisamos nos arrepender e mudar. Urgentemente!

Há em nossa geração, como houve em todas as outras passadas, uma ignorância geral a respeito do verdadeiro ensino das Escrituras, de sua verdadeira interpretação. Isso é explicado, pelo menos em parte, pelo grande desinteresse e negligência, mesmo daqueles que se dizem Cristãos, em saber a interpretação correta daquilo que “está escrito”. Porque levaríamos a Palavra de Deus a sério se não levamos o próprio Deus a sério? A nossa atitude para com a Palavra de Deus revela muito da nossa atitude para com o próprio Deus.

Assim como a doutrina é segundo a piedade, a piedade é segundo a doutrina bíblica. Sem um conhecimento bíblico verdadeiro é impossível sermos Cristãos verdadeiros. Eu não posso ser Cristão, se não conheço as “sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Timóteo 6:3).

Por outro lado, “muitos podem ter um conhecimento geral da Bíblia, porém há uma grande falta no que diz respeito à capacidade de raciocinar a partir das Escrituras de uma forma doutrinariamente consistente. Nós devemos conhecer a Bíblia doutrinariamente e devemos conhecer nossa doutrina biblicamente. A menos que cheguemos a um conhecimento doutrinário consistente das Escrituras, o nosso conhecimento da Palavra de Deus é tanto deficiente quanto defeituoso”.[2]

Diante deste triste cenário nada podemos fazer senão nos juntarmos ao profeta Isaías em seu clamor: “À lei e ao testemunho!” (8:20), voltemos às Escrituras Sagradas, voltemos à pura Palavra de Deus! Mas somente ter as Escrituras nas mãos não é suficiente, é preciso saber interpretá-las, e corretamente! E para isto esta obra magistral será de grande utilidade para o leitor ávido por saber o real significado do que “está escrito”, para aquele que diante das Escrituras abertas diz sinceramente em seu coração: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve!” (1 Samuel 3:9). O autor dispensa apresentações, é provavelmente o melhor exegeta do século XX. Quem está familiarizado com seus escritos sabe que as obras do amado A. W. Pink são marcadas por profundo apego à Palavra de Deus e fidelidade às Sagradas Letras. O autor é um exemplo vivo da doutrina que aqui ensina de forma maravilhosamente bíblica.

Havendo traduzido, revisado, lido e meditando sobre a obra, considero-me capaz de afirmar que dificilmente encontraremos debaixo do céu — para usar as palavras do autor — um “tratado sobre hermenêutica”, tão bíblico e completo, tão profundo e ao mesmo tempo tão prático. Deixemos que o próprio autor fale sobre sua obra:
 

Nestes capítulos temos nos esforçado para colocar diante de nossos leitores quais as regras que temos usado há muito tempo em nosso próprio estudo da Palavra. Elas foram projetadas mais especialmente para os jovens pregadores, nós não poupamos esforços para torná-los tão lúcidos e completos quanto possível, colocando em suas mãos esses princípios de exegese que nos eram de grande proveito.

 

Se você é um pregador jovem, como eu, certamente receberá uma valiosíssima ajuda para desenvolver seu ministério de pregação da Palavra; visto que se requer dos despenseiros que cada um se ache fiel, as regras de Interpretação das Escrituras aqui propostas lhe ajudarão a apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade (1 Coríntios 4:2; 2 Timóteo 2:15).

Finalmente permitam-me compartilhar com vocês um conselho que recebi de um senhor norte-irlandês muito sábio cujo falar inspira temor reverente. Estávamos falando sobre pregação e pregadores, ele me disse: “William, o grande pregador não é aquele que conhece a Bíblia de capa a capa. O grande pregador não é aquele que domina a Palavra de Deus, mas aquele que é dominado pela Palavra de Deus!”.

Que sejamos dominados pela Palavra de nosso Deus! Para a glória de Deus! Amém!



Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível,
Ao único Deus sábio, Salvador nosso — Pai, Filho e Espírito,
Seja glória e majestade, domínio e poder,
Agora, e para todo o sempre. Amém e Amém!


William Teixeira,
11 de setembro de 2016.
 

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Os Três Tempos e os Vários Aspectos da Salvação de Deus, por A. W. Pink

 


Para esclarecer o pensamento e fundamentar a doutrina é muito necessário distinguir entre os três tempos e os vários aspectos da salvação de Deus. Como somos familiarizados com essa palavra, ela é usada com frouxidão imperdoável (mesmo pela maioria dos pregadores), através da falha em reconhecer que este é o termo mais abrangente encontrado nas Escrituras, e da falha em se esforçar para averiguar o modo como ele é utilizado nelas. Frequentemente um conceito muito inadequado é formado sobre o âmbito e conteúdo dessa palavra, e por ignorar as distinções que o Espírito Santo tem feito, nada senão uma ideia obscura e confusa é obtida.

Quão poucos, por exemplo, seriam capazes de fazer uma simples exposição das seguintes afirmações: “Que nos salvou” (2 Timóteo 1:9, e cf. Tito 3:5); “operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12); “porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Romanos 13:11 e cf. 1 Pedro 1:5). Agora, estes versos não se referem a três salvações diferentes, mas sim a três aspectos da mesma salvação. O primeiro como um fato consumado, a salvação do deleite no pecado e da penalidade pelo pecado. O segundo como um processo presente, quanto ao poder e atração pelo pecado. O terceiro como uma perspectiva futura, a salvação da própria presença do pecado.

Se o equilíbrio da verdade deve ser preservado e se devem ser evitados a má prática de opor um aspecto contra o outro, ou de enfatizar em demasia um e ignorar o outro; um cuidadoso estudo precisa ser feito sobre as diferentes causas e meios da salvação. Há nada menos do que sete coisas que concorrem nesta grande obra, pois todos estes estão ditos, em uma passagem ou em outra, “salvar-nos”.

• A salvação é atribuída ao Pai: “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação” (2 Timóteo 1:9), devido ao Seu amor eletivo em Cristo.

• Ao Senhor Jesus: “Ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1:21), devido ao Seu mérito e expiação.

• Ao Espírito Santo...

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