Textos

 

Os Batistas Brasileiros - John Smith e Thomas Helwys, por Marcus Paixão

 

JOHN SMITH E THOMAS HELWYS


A história dos batistas está ligada a dos ingleses John Smith e Thomas Helwys. Muitos livros têm sido escritos sobre os batistas e suas origens e Smith e Helwys aparecem em quase todos eles como os precursores dos batistas. Seus dias podem ser contados a partir do período da rainha Elizabete até os dias do rei Tiago I. Os momentos mais importantes de suas vidas aconteceram no período deste último monarca.


Por esse tempo ouvia-se um grande lamento em toda a Inglaterra por parte dos clérigos da igreja anglicana. A igreja inglesa estava muito parecida com a igreja católica romana e isso causava mal estar em muitos religiosos. A reforma não havia sido completa. Muitos passaram a protestar contra o rei, exigindo dele uma purificação na igreja da Inglaterra de todos os resquícios católicos romanos que ainda estavam presentes. Apesar do grande lamento as reformas não chegavam. A insatisfação era tamanha que logo alguns grupos se levantaram. Alguns começaram um esforço para reformar a igreja sem, contudo, abandoná-la. Estes foram chamados de conformistas. Outros não suportavam mais viver em uma igreja que abraçava parte do catolicismo romano, e resolveram separar-se de uma vez por todas do anglicanismo. Estes foram chamados de não-conformistas ou separatistas.

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CONTEXTO HISTÓRICO
 

No início do século 17, em 1633, na Inglaterra, começara a desabrochar um grupo de igrejas com práticas e ideias diferentes daquelas da igreja estatal. Estes irmãos eram integrantes de uma congregação independente, formada por separatistas ingleses que haviam deixado a igreja do Estado. Por não aceitarem o pedobatismo, amigavelmente, resolveram deixar a congregação e dar início a uma outra, que foi liderada pelo pastor John Spilsbury. Eram os Batistas Particulares. Não tinham nenhuma ligação com a igreja da Inglaterra. Discordavam abertamente, embora cautelosamente, da forma de religião estatal. Por isso, embora sendo pouco numerosos, começaram a ser notados. As igrejas Batistas começaram a crescer e a despertar um interesse maior por parte dos de fora. Suas crenças e práticas eram observadas e analisadas por alguns membros da igreja Anglicana e por outros separatistas, que também tinham deixado o anglicanismo.
 

Após o surgimento de muitos rumores que envolviam algumas congregações batistas em Londres, rapidamente elas passaram a ser identificadas com os Anabatistas. Estes eram considerados inimigos do estado, foras da lei, e não eram tolerados na Inglaterra. Um grande tumulto com numerosos mortos havia acontecido em um país vizinho, a Alemanha, e os Anabatistas eram acusados de serem os responsáveis. Por terem práticas semelhantes às dos Anabatistas, os primeiros batistas foram confundidos com eles na Inglaterra.
 

Porém, estas congregações batistas, diferente dos Anabatistas, defendiam uma teologia calvinistas.[1] Por isso, eram também denominados de Batistas Particulares. A qualificação ‘particular’ era necessária não apenas para demonstrar o tipo de teologia calvinista que eles defendiam, mas, para distingui-los do outro grupo de batistas ingleses, denominados batistas gerais. Estes últimos haviam regressado da Amsterdam liderados por Thomas Helwys. Enquanto os Anabatistas negavam o pecado original, os batistas particulares seguiam longe deste pensamento. Acreditavam na depravação completa de todos os seres humanos; na eleição incondicional, livre de qualquer fé prevista ou boa obra; na redenção particular, somente aos eleitos e não em um tipo de morte em favor de toda a humanidade e nem em uma idéia de morte para “tornar possível” ou criar uma “possibilidade de salvação” para todos os homens; perseverança de todos os eleitos e na graça irresistível sobre todos os eleitos. Tinham em alta estima uma forte teologia pactual. Traços doutrinários que os distanciava dos Anabatistas e os aproximava dos separatistas puritanos.

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A Chegada dos Batistas no Brasil


A chegada dos Batistas em terras brasileiras aconteceu em meados do século XIX. O primeiro Batista em solo brasileiro era de convicção doutrinária calvinista, enfileirado entre os Batistas Particulares (SELPH, 1995; NETTLES, 2006; PAIXÃO, 2010). Tratava-se do pastor Luther Rice. Chegou no dia 05 de maio de 1813, retornando de missão evangelística na Índia. Regressava para os EUA, e numa das paradas da viagem, aportou no Brasil e foi recebido pelo Cônsul norte-americano, ficando hospedado em sua casa. Ele tinha interesse na evangelização do Brasil. Em sua parada ele fez avaliações para a junta de missões americana.

Em 1850, a missão Batistas americana enviou o pastor William Theophilus Brantly Júnior para estudar o campo brasileiro. Permanecia o interesse americano em enviar missionários ao Brasil. Porém, somente 10 anos depois, o primeiro missionário Batista chegaria ao Brasil com a tarefa de evangelizar: Thomas J. Bowen. Ele desembarcou no dia 21 de maio de 1860, oriundo de uma missão Batista na África, e sua estada total no Brasil durou oito meses e dezenove dias (OLIVEIRA, 2005, p. 108). A partir de Bowen, a porta foi aberta para a presença Batista em solo brasileiro.

Com a chegada dos missionários Batistas norte-americanos ao Brasil, chegaram também as primeiras confissões de fé. As igrejas Batistas que foram iniciadas no Brasil, sem exceção, eram confessionais. Esse fato desmente por completo a ideia muito propagada no Brasil de que os Batistas não tinham credos ou confissões de fé. Não só tinham credos e confissões, como também dispunham de catecismos, e toda igreja Batista no Brasil, a princípio, era organizada sob bandeira de uma confissão de fé calvinista. A primeira confissão a ser utilizada nas igrejas brasileiras foi a Confissão de Fé de New Hampshire, um documento dos Batistas Particulares, muito embora já houvesse uma fragmentação doutrinária em andamento entre os Particulares nos Estados Unidos.[1] Em 1882 a Igreja Batista em Salvador (BH) foi organizada, destacando a adoção da Confissão de Fé de New Hampshire (PEREIRA, 2001; SANTOS, 2004).

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