Textos

 

O Quinto Mandamento — Autoridade, por Cornelius Van Til

 

1. Observações

Nós já falamos sobre a promessa e a ameaça como relacionadas com a lei quando discutimos o Segundo Mandamento. A razão para observar isso aqui é que Paulo nos diz em Efésios 6:3 que este Quinto Mandamento é “o primeiro mandamento com promessa”. Se isso não conflitar com o fato de que promessas e ameaças são vinculadas ao Segundo Mandamento, devemos concluir que no Quinto Mandamento a promessa está ligada a esse Mandamento particular, enquanto que no caso do Segundo a ameaça prometida incluía toda a lei.

Quanto ao conteúdo da promessa, nós podemos observar que não pode significar que cada indivíduo que honra seus pais viverá por muito tempo. Nem isso é intencionado mesmo durante o tempo do Antigo Testamento. Se assim fosse, os fatos teriam mostrado que a promessa é falsa muitas vezes. Isso significa que a nação cujos cidadãos respeitam os pais e idosos, em geral, pode esperar permanecer por longos dias.

2. O que é Comandado

Para entender O que é Comandado, nós devemos notar de imediato que o Quinto Mandamento não se limita à vida familiar, mas envolve a questão geral da autoridade onde quer que apareça. A família é a unidade a partir da qual a sociedade é construída, e por esta razão é mencionada e não a sociedade e o Estado. Mas isso não nos permitem concluir que as Escrituras não nos fornecem nenhuma base para a ética social.

Mesmo se não tivéssemos mandamentos específicos no que diz respeito à vida social ainda teríamos uma base para a ética social na doutrina bíblica de Deus. É a doutrina teísta de Deus, conforme estabelecida na Bíblia que fornece a base para toda a autoridade. Nós ousamos dizer que apenas sobre essa base existe alguma autoridade entre os homens em qualquer lugar. Sem a concepção teísta de Deus todas as leis da natureza e da moral que apareceriam em um mero universo do acaso. Então, não há razão para que um ser humano exerça qualquer autoridade sobre outro. O acidente de circunstância favorável, maior força, capacidade superior etc., não são em si nenhuma justificação para qualquer ser humano exercer autoridade sobre qualquer outro. Por outro lado, isto é possível dada a concepção teísta Cristã de um Deus que é Ele mesmo a fonte da lei e autoridade entre os homens. E até mesmo a natureza da autoridade é assim estabelecida. Falamos muitas vezes de autoridade moral. Por isso, queremos dizer que alguém tem pela capacidade e esforço alcançado uma posição na sociedade que faz com que os outros considerem a sua opinião como relevante. Então, um médico tem autoridade. Mas não é isso que é devidamente entendido como autoridade. Por autoridade, no sentido próprio do termo, intenciona-se que alguém, em nome de Deus, deve requerer obediência de outros a certas leis de Deus. Aqueles que exigem obediência são servos de Deus. Eles não têm autoridade em si mesmos. Nem é a sua autoridade diretamente delegada a eles por outras pessoas. Se for delegado a eles por outras pessoas é porque essas pessoas são os próprios agentes adequados de Deus para delegar autoridade. Em qualquer caso, toda a autoridade entre os homens é delegada aos homens por Deus. Sempre que alguém deixa de reconhecer isso, ele usurpa a autoridade.

Se ele ainda é obedecido por outros, pode ser que esses outros olhem para além dele, para Deus e o obedeçam por amor de Deus somente.


A. A Família

Com a concepção teísta geral sobre autoridade como um plano de fundo, não nos admiraremos que a concepção Cristã de família seja bastante diferente da concepção do não-Cristão. Não estamos agora discutindo o casamento. Uma discussão sobre o casamento ocorre na exposição do Sétimo Mandamento. Aqui nós somente falamos sobre autoridade. Mas, temos que falar de autoridade na família em primeiro lugar e, portanto, da própria família. Se a família tivesse se originado gradualmente à medida em que o homem saiu do estágio não-moral da existência não poderia haver nenhuma autoridade propriamente dita. Ou, aceito que houvesse uma aparência de autoridade dos pais sobre os filhos, não haveria ao menos nenhuma razão em absoluto para falar da autoridade do homem sobre a mulher. O feminismo moderno está certo se o antiteísmo estiver certo. Que o homem é mais forte do que mulher, etc., em si, não justifica a autoridade. No fundamento teísta, não existe tal coisa como uma lei da natureza à parte de Deus. Paulo fala sobre a natureza nos ensinando certas coisas, mas ele concebe as leis da natureza como sendo expressivas da vontade do Deus da natureza.

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Como Observar o Dia do Senhor, por John Owen

 

Um Estudo Resumido e Parafraseado por D. Scott Meadows


John Owen (1616-1683) foi um dos maiores teólogos da era Puritana, e talvez, mesmo desde os apóstolos. Ele defendia a doutrina e prática do Dia do Senhor encontradas na Declaração de Fé e Ordem de Savoy, 1658 (Congregacionalista), a qual ele ajudou a escrever:
 

Pelo desígnio de Deus, há uma lei da natureza que, em geral, uma proporção do tempo seja destinada ao culto a Deus; desta forma, em Sua Palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, válido a todos os homens em todas as eras, Deus particularmente nomeou um dia em sete para um descanso, para ser-Lhe santificado. Desde o início do mundo até a ressurreição de Cristo, foi o último dia da semana; e, a partir da ressurreição de Cristo, foi mudado para o primeiro dia da semana, o que na Escritura é chamado de Dia do Senhor, e deve continuar até o fim do mundo como o Sabath Cristão; sendo abolida a observação do último dia da semana.

Este Sabath é assim santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações, e ordenação os seus assuntos comuns de antemão, não apenas observam um santo descanso todo o dia a partir de suas próprias obras, palavras e pensamentos sobre suas ocupações e recreações mundanas; mas também dedicam todo o tempo em exercícios públicos e privados de Seu culto e nos deveres de necessidade e misericórdia (SavoyCap. 22, parágrafos 7 e 8).


Esta linguagem é familiar aos Batistas Reformados porque a Confissão de Fé de Batista de Londres de 1689 diz exatamente a mesma coisa. A Confissão de Fé de Westminster (1646, Presbiteriana) também concorda com isso.

Muitas objeções a esse consenso dos Cristãos Reformados sobre o Dia do Senhor têm incomodado as igrejas, e ainda incomodam. Owen e outros responderam com sólidos, acadêmicos e exegéticos tratados que têm resistido ao teste do tempo.

Uma das calúnias mais populares contra a observância do Dia do Senhor é que ela é necessariamente legalista e opressora. O conselho de Owen sobre este assunto expõe essa disputa. Muitos que estão menos familiarizadas com os escritos de Owen e outros puritanos podem se surpreender com a cautela com que advertem contra o legalismo e suplicam pela profunda espiritualidade em toda a vida Cristã, incluindo o Dia do Senhor.

Se meu estudo abreviado e paráfrase do conselho de Owen trouxer diante dos Cristãos atuais uma nova consideração e apreciação que conduza a uma recuperação da sã doutrina e prática, serei grato. De coração, encorajo todos a lerem Owen por si mesmos, nas próprias palavras dele. Seu estilo de escrita pode ser desafiador, mas com a bênção do Senhor e esforço constante para entender o significado de Owen, a maioria poderá ser imensamente beneficiada.


***


“Como observar o dia do Senhor” por John Owen


Desde que muitos têm escrito sobre as muitas especificidades desses deveres, apenas os citarei brevemente.[1]


Preparação na Noite de Sábado


Necessidade. Estritamente falando, sábado à noite não é parte do Dia do Senhor, mas há boas razões para usá-lo como preparação.

Porque Deus é grande e santo. Nós estamos prestes a ter comunhões especiais com Deus no Domingo. A reverência requer preparação especial para isso (Eclesiastes 5:1; Levítico 10:3). Deus não ama a nossa pressa em Sua presença sem a atitude correta (Hebreus 12:28-29). Não é suficiente mostrar reverência com os nossos corpos; devemos ter um espírito reverente.

Porque somos distraídos e embaraçados por outras coisas. Mesmo aqueles que vivem para o Senhor durante toda a semana normalmente estão trabalhando em alguma vocação não-religiosa que ocupam grande parte de seus pensamentos. Os dias de trabalho podem nos dessensibilizar para as coisas de Deus. Ainda que devemos consagrar cada momento e atividade a Deus, contudo muitos deles não são muito propícios à uma mentalidade celestial. Devemos orar sempre, mas há um benefício em uma oração especial e preparatória para o Dia do Senhor. Devemos livrar nossas mentes dos negócios seculares, terrenos, tanto quanto conseguirmos a cada sábado à noite. Se não tivermos muito cuidado com isso, estaremos despreparados para adorar como deveríamos no Domingo. A fidelidade no sábado promove bênção no domingo.

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Os Dez Mandamentos, por Cornelius Van Til: A Introdução e o Primeiro Mandamento — Religião

 

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Sumário

Introdução — Pressupostos
O Primeiro Mandamento — Religião
O Segundo Mandamento — Adoração
O Terceiro Mandamento — Revelação
O Quarto Mandamento — O Sabath
O Quinto Mandamento — Autoridade
O Sexto Mandamento — Vida Humana
O Sétimo Mandamento — Pureza
O Oitavo Mandamento — Propriedade
O Nono Mandamento — Verdade
O Décimo Mandamento — Desejo

 

***

Introdução — Pressupostos

 

1. O principal pressuposto da lei moral é o teísmo Cristão. A única pergunta suprema que aparece momentaneamente quando a lei é tema de discussão é se a lei é autossuficiente ou se ela repousa sobre personalidade absoluta. A questão colocada desta maneira, obriga-nos a ser ou teístas Bíblicos ou Pragmáticos. Lei que não repousa na personalidade absoluta deve ter se originado a partir do continuum espaço-tempo de um universo autossuficiente e é, por esse motivo, suficiente em si mesma. A questão entre o teísmo Cristão e outro pensamento não é o de personalidade, porque isso pode significar não mais do que a lei ser baseada na personalidade humana, ou pelo menos, personalidade finita. As Escrituras contemplam a lei como o anúncio de Deus como personalidade absoluta...

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