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Jesus Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei: Uma Exposição do Capítulo 8:1-3 da CFB1689 | Por Justin McLendon

O Capítulo VIII da Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 (CFB1689) é intitulado “Sobre Cristo, o Mediador”. Tom Nettles observa a importância deste capítulo e de sua descrição precisa de Cristo, o Mediador, observando sua “linguagem cuidadosamente produzida [que] protege a unidade da Pessoa de Cristo” e que a CFB1689 “afirma que este ensino é de fundamental importância para a vida Batista”.[1] Os elogios de Nettles não são um exagero. Apenas um breve olhar para a História da Igreja revela uma vasta gama de heresias cristológicas que desafiaram o testemunho da igreja. Cada geração deve permanecer vigilante em sua busca para sufocar qualquer ensino que subverte o retrato bíblico de nosso Senhor, e o capítulo VIII da CFB1689 fornece à igreja uma estrutura para criar uma defesa substancial. Na verdade, este capítulo crucial estabelece verdades necessárias que reforçam uma estrutura confessional de uma Cristologia bíblica. A negação das declarações doutrinárias neste capítulo poderia representar um destino perigoso.

 

Em sua exposição da CFB1689, Samuel Waldron divide o capítulo VIII em duas seções principais. Talvez haja outras maneiras proveitosas de comunicar as ênfases deste capítulo, mas Waldron é útil a nós em suas observações. Ele trata individualmente os parágrafos 1 a 3, e os parágrafos quatro a dez como uma unidade. O parágrafo 1 distingue a ordenação de Jesus para o ofício de Mediador, o parágrafo 2 descreve Sua encarnação para o ofício de Mediador, e o parágrafo 3 resume as qualificações específicas necessárias para o ofício de Mediador.

 

Waldron reconhece a estreita semelhança deste capítulo da CFB1689 com a Confissão de Fé de Westminster (CFW). Na verdade, a CFB1689 é quase idêntica em seus primeiros oito parágrafos com a CFW, mas os dois últimos parágrafos deste capítulo são “uma expansão da Primeira Confissão de Londres pelos autores da confissão de 1689”.[2] Os dois parágrafos adicionais se concentram na exclusividade de Jesus em Seu papel como Profeta, Sacerdote e Rei, e na impossibilidade de qualquer atribuição desses papéis a outro. Somente Cristo é o Mediador, e Ele não compartilha esse papel com outro. O último parágrafo resume belamente a esperança escatológica que os crentes compartilham através da obra de Cristo em seu favor, conectando-os ao reino celestial. Este artigo explica o capítulo VIII, parágrafos 1 a 3, da CFB1689, que se concentra no papel de Cristo como Mediador. O texto da CFB1689, capítulo VIII, parágrafo 1, é o seguinte:

 

Aprouve a Deus, em Seu eterno propósito, e de acordo com o Pacto estabelecido entre ambos, escolher e ordenar o Senhor Jesus, Seu Filho unigênito, para ser o Mediador entre Deus e os homens,1 o Profeta,2 Sacerdote3 e Rei;4 a Cabeça e Salvador da Igreja,5 o herdeiro de todas as coisas,6 e Juiz do mundo;7 a quem, desde toda a eternidade, deu um povo para ser Sua posteridade e para ser por Ele, no tempo, remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.8

1 Isaías 42:1; 1Pedro 1:19-20
2 Atos 3:22
3 Hebreus 5:5-6
4 Salmos 2:6; Lucas 1:33
5 Efésios 1:22-23
6 Hebreus 1:2
7 Atos 17:31
8 Isaías 53:10; João 17:6; Romanos 8:30

 

O Prazer de Deus na Ordenação de Cristo, o Mediador

 

O parágrafo 1 resume o prazer de Deus exibido em Seus propósitos soberanos de ordenar o Senhor Jesus como o único Mediador do homem. Os propósitos de Deus são sempre doxológicos, o que significa que Deus está preocupado e comprometido com a Sua glória e renome. Assim, este parágrafo começa com a impressionante admissão desta grande verdade, “Aprouve a Deus” agir. As motivações humanas para agir em nome dos outros são muitas vezes contaminadas por interesse próprio e conveniência. Dito de modo simples, a humanidade não pode se vangloriar de virtudes altruístas separadas da graça salvífica. Esta admissão impressionante do prazer de Deus em Sua obra serve como um lembrete de um refrão comum na Sagrada Escritura. Deus está “está nos céus; fez tudo o que lhe agradou” (Salmo 115:3), e “Tudo o que o Senhor quis, fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos” (Salmo 135:6). É impossível ler o Salmo 135 (e muitos outros textos bíblicos) e não entender o fato que Deus é grande e que Ele faz o que Ele quer no céu e na terra.

 

O papel de Jesus como o Mediador entre Deus e o homem não foi o resultado do acaso ou de circunstâncias imprevistas. Ou, para expressar de outra forma, Cristo o Mediador não foi um plano B ou uma tentativa apressada de Deus para remediar a queda imprevista do homem. Um mediador intervém entre duas partes opostas para influenciar a reconciliação ou a paz. Sobre o papel de Jesus como Mediador, Sua obra de reconciliação foi devida ao Seu ser “em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” (1 Pedro 1:20). Toda obra redentora de Jesus deve ser vista como eterna, estendendo-se para além das limitações das concepções humanas de tempo. Certamente, Jesus salva os pecadores através da obra regeneradora do Espírito, pela qual os pecadores ouvem a palavra da verdade e o Evangelho da salvação, e ao ouvir e crer são selados e seguros (Efésios 1:13). Ou como diz a CFB1689, “no tempo”, Jesus redime, chama, justifica, santifica e glorifica a Sua semente. No entanto, esta salvação que transforma a vida engloba a eternidade porque o Deus triúno determinou magnificar o Seu grande nome através da salvação de Seu povo antes da fundação do mundo.

 

O parágrafo 1 do capítulo VIII da CFB1689 afirma que Jesus é “de acordo com o Pacto estabelecido entre ambos... Seu Filho unigênito”. Lembramos aqui da obra útil de Tom Nettles na edição de verão de 2016 do Founders Journal para uma visão detalhada de como a CFB1689 fala sobre Jesus sendo “eternamente gerado do Pai”.[3] Os debates contemporâneos sobre a geração eterna prolongam-se em muitas discussões atuais sobre a teologia, mas a afirmação da CFB1689 permanece válida. O Filho unigênito de Deus é o único Mediador qualificado e ordenado.

 

Jesus Cristo como Profeta, Sacerdote e Rei

 

A CFB1689 observa cuidadosamente que o papel de Jesus como Mediador não é apenas uma ideia que é extraída do Novo Testamento. Cristo, o Mediador não provém da imaginação criativa de um apóstolo. Em vez disso, a CFB1689 descreve corretamente a evidência bíblica dos dois Testamentos. Cristo, como Mediador entre Deus e o homem, parece profundamente enraizado nos papéis de profeta, de sacerdote e de rei do Antigo Testamento, e o cumprimento desses papéis por Jesus é devido à Aliança feita entre Deus Pai e Deus Filho. No Antigo Testamento, os mediadores eram selecionados individualmente entre os povos de Israel, mas seu papel prefigurava Aquele que estava por vir. Como Graeme Goldsworthy observa: “uma das mensagens do Novo Testamento, e especialmente da carta aos Hebreus, é que os mediadores humanos, pecadores, prenunciam o verdadeiro Mediador, mas eles mesmos não mediavam a graça salvífica”.[4] Jesus, o verdadeiro Mediador, está entre Deus e os rebeldes que carregam a Sua imagem, os quais estão alienados dEle, para mediar a graça salvífica sobre os Seus eleitos. Portanto, Jesus é o Mediador de uma “aliança nova e melhor” (Hebreus 8:6), e como Deus-homem, Jesus Se relaciona com ambos os lados que estão em oposição.

 

João Calvino com frequência é reconhecido como quem deu sublime importância ao reconhecimento do cumprimento de Jesus como Profeta, Sacerdote e Rei. O presente de Jesus como cura tripla é certamente um dom gracioso ao homem, pois este é ignorante de Deus, nascido no pecado e participante ativo e voluntário na corrupção generalizada. Calvino afirma a maravilha deste dom, reconhecendo que “para que a fé possa encontrar uma base firme para a salvação em Cristo e, assim, descansar nEle, este princípio deve ser estabelecido: o ofício atribuído pelo Pai a Cristo consiste em três partes; pois, Ele foi dado para ser Profeta, Rei e Sacerdote”.[5] O papel Profético de Jesus vai ao encontro da ignorância dos pecadores, Seu papel Sacerdotal é adequado à culpa do homem, e o Seu papel Real é apropriado à corrupção do homem.

 

A CFB1689 observa a relação estreita entre o cumprimento destes papéis por Jesus e o fato de Ele ser o Cabeça da igreja. Em relação a esta verdade central, John Dagg afirma: “Jesus Cristo é a cabeça de todas as coisas para a Igreja. Ele exerce a Sua autoridade suprema em benefício de Seu povo, por cujo motivo Ele se santificou para realizar o trabalho de mediação”.[6] A liderança de Jesus alerta-nos para a autoridade soberana que Ele exerce supremamente sobre o Seu povo, e a resposta da Igreja é a submissão humilde à Sua vontade. E, Sua soberana autoridade não se limita aos redimidos. A CFB1689 com perspicácia inclui o Seu domínio soberano sobre todas as coisas, porque Ele é o “herdeiro de todas as coisas” e “julgará o mundo”. A Sagrada Escritura é absolutamente clara que o Jesus ressuscitado é Aquele designado por Deus para ser o juiz de vivos e mortos (Atos 10:42).

 

Parágrafo 2

 

O Filho de Deus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, o resplendor da glória do Pai, da mesma substância e igual a Ele; Quem criou o mundo, Quem sustenta e governa todas as coisas que Ele fez, quando chegou a plenitude dos tempos, tomou sobre Si a natureza humana, com todas as propriedades essenciais e fraquezas comuns,9 embora sem pecado;10 foi concebido pelo Espírito Santo, no ventre da Virgem Maria, o Espírito Santo desceu sobre ela, e o poder do Altíssimo a envolveu; e assim foi feito de uma mulher, da tribo de Judá, da descendência de Abraão e Davi, segundo as Escrituras;11 para que duas naturezas inteiras, perfeitas e distintas, fossem inseparavelmente unidas em uma só Pessoa, sem conversão, composição ou confusão. Esta Pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mas um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem.12

9 João 1:14; Gálatas 4:4
10 Romanos 8:3; Hebreus 2:14,16,17, 4:15
11 Mateus 1:22-23
12 Lucas 1:27,31,35; Romanos 9:5; 1Timóteo 2:5

 

Jesus Cristo, o Deus-homem

 

O importante segundo parágrafo afirma a divindade e a humanidade de Jesus. A narrativa bíblica do nascimento de Jesus revela uma verdade surpreendente: a concepção de Jesus foi extraordinária. Jesus foi predestinado antes da fundação do mundo, profetizado previamente pelos servos de Deus, concebido pelo Espírito Santo no ventre da virgem Maria e humildemente trazido à história humana no momento exato da escolha de Deus (Gálatas 4:4). As exortações e compromissos doutrinários contidos neste parágrafo separam a ortodoxia da heresia. Neste breve parágrafo, três áreas cruciais são observadas: a deidade de Jesus, a humanidade de Jesus e a união hipostática.

 

A Deidade e a Humanidade de Cristo

 

A deidade de Jesus Cristo é uma das doutrinas mais cruciais do Cristianismo. Em certo sentido, os erros Cristológicos do passado são o plano de fundo das importantes declarações deste parágrafo. Por exemplo, o Ebionismo e o Adocionismo eram heresias que essencialmente alegavam que Jesus não era Deus, mas recebeu o poder de Deus para se tornar o Messias, pela obediência às obras da lei e pela adoção de Deus (talvez por meio de Seu nascimento ou batismo).[7]

 

A controvérsia Ariana foi muito influente no seu campo de alcance. Condenada no Concílio de Nicéa em 325 D.C., as alegações doutrinárias do Arianismo surgiram com Ário de Alexandria, que negava a natureza divina de Cristo. Para ele, Jesus foi o primeiro ser criado. Em resposta, Atanásio demonstrou que Jesus é plenamente Deus e da mesma essência do Pai. A primeira afirmação deste parágrafo é uma clara refutação do Arianismo: “a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, o resplendor da glória do Pai, da mesma substância e igual a Ele”. Jesus é “totalmente” Deus. Seu lugar como segunda Pessoa na Santíssima Trindade não muda a Sua igualdade com o Pai. Na economia da divindade, Jesus não é inferior a Deus, mas é, de acordo com Hebreus 1:3, “o resplendor da Sua glória”.

 

Podemos perguntar, como Anselmo de Cantebury: “Cur deus homo” (Por que Deus-homem)? Por que a encarnação? A CFB1689 demonstra que a resposta bíblica a esta pergunta reside na determinação de Jesus de completar a Sua obra como Mediador nomeado por Deus. Jesus é “da mesma substância e igual a Ele [Deus]”. No Evangelho de João, Jesus é apresentado como o Logos eterno, o Verbo encarnado, que desceu e Se fez carne e habitou entre nós (João 1:1-14). O credo de Niceia o definiu através do uso de homoousios, “da mesma substância” contra os Arianos. A controvérsia Ariana foi a ameaça mais significativa para o Cristianismo ortodoxo no século IV. A resposta da igreja estabeleceu uma defesa formidável de que todas as pessoas da divindade são da mesma essência e substância divina. As implicações da divindade de Jesus são numerosas. Por meio de Cristo, Deus pode ser conhecido e a salvação pode ser recebida. Não precisamos questionar como é Deus, nem temos que questionar Suas interações com a humanidade. Além disso, como a CFB1689 reconhece, Jesus evidencia a Sua natureza divina através da criação e sustento do mundo, como mencionado acima.

 

O Docetismo (do verbo grego dokeo que significa “parecer” ou “aparecer”) surgiu no segundo século e questionou a verdadeira humanidade de Cristo. Esta heresia surgiu de suas raízes gnósticas que dividia e fazia uma distinção estrita entre físico e espiritual. O gnosticismo desvalorizou a ordem física levando-a à inutilidade, e essas crenças influenciaram o Docetismo. No ensino Docetista, Jesus só parecia ser um humano que morreu. As aparições de Jesus, por mais reais que parecessem, eram essencialmente manifestações fantasmagóricas. Este ataque à humanidade de Jesus obscurece o que o Novo Testamento afirma sobre a encarnação. Jesus é Deus em forma humana.

 

O Apolinarianismo desafiou a humanidade de Jesus através da sua crença de que “o espírito humano de Jesus foi substituído pelo Logos divino”.[8] Apolinário afirmou que Jesus era Deus em carne, mas ele acreditava que o Logos divino preenchia a mente de Jesus para que a sua humanidade fosse diferente do resto da humanidade. Em outras palavras, essa visão sustentava que Jesus era humano em corpo e alma, mas não em espírito. O segundo parágrafo acima mencionado responde a esta heresia ao reconhecer que a natureza humana de Jesus tomou sobre Si a “natureza humana, com todas as propriedades essenciais e fraquezas comuns”. As Escrituras afirmam a humanidade de Jesus ao revelar os atributos humanos que todos reconhecemos. Jesus nasceu, cresceu desde a infância até a idade adulta, Seu corpo suportou exaustão, fome e dor, e Ele expressou emoção humana em face de circunstâncias humanas comuns. Quem conviveu com Jesus viu-O como humano e interagiu e O saudou em termos humanos. Como observa a CFB1689, Jesus teve “propriedades essenciais e fraquezas comuns”.

 

A CFB1689 afirma dois aspectos importantes das duas naturezas de Jesus. As naturezas divina e humana estão unidas na Pessoa de Cristo, mas também são distintas. Para que Jesus seja o Mediador entre Deus e o homem, Ele precisa ser ambos. A doutrina da união hipostática refere-se às duas naturezas de Jesus unidas em uma Pessoa, ao mesmo tempo em que afirma que Jesus não é duas pessoas. É fundamental notar duas heresias Cristológicas adicionais que a CFB 1689 está combatendo: o Nestorianismo e o Monofisismo (às vezes chamado de Eutiquianismo). A primeira heresia ensinava que duas pessoas separadas existiam em Jesus, uma humana e uma divina. Horton acrescenta que o Nestorianismo acreditava que “o Logos divino vivia moralmente e não essencialmente”.[9] A segunda heresia afirmava que Cristo tinha apenas uma natureza, e Sua união com Deus eliminava a Sua natureza humana.

 

A doutrina da CFB168 rejeita todas as heresias Cristológicas, afirmando que as “duas naturezas inteiras, perfeitas e distintas, fossem inseparavelmente unidas em uma só Pessoa, sem conversão, composição ou confusão. Esta Pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mas um só Cristo”. Naturalmente, o Concílio de Calcedônia (451) rejeitou todas as seis heresias Cristológicas quando afirmou a plena humanidade e a plena divindade de Cristo. Michael Bird afirma que Calcedônia afirmou que a “natureza divina de Cristo é exatamente como a do Pai e a natureza humana exatamente como o restante da natureza humana. As naturezas são unidas, mas não misturadas”.[10] A prova mais clara desses atributos é a Escritura, e a CFB1689 nos oferece os parâmetros de nossa defesa teológica.

 

Parágrafo 3

 

O Senhor Jesus em Sua natureza humana assim unida à Divina na Pessoa do Filho, foi santificado e ungido com o Espírito Santo sobremaneira;13 tendo em Si todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento,14 em Quem aprouve a Deus que toda a plenitude habitasse,15 a fim de que sendo santo, inocente, imaculado,16 e cheio de graça e de verdade,17 Ele pudesse estar plenamente qualificado para exercer o ofício de um Mediador e Fiador.18 Este ofício Ele não tomou para Si por conta própria, mas para este foi nomeado por Seu Pai;19 que colocou todo o poder e juízo em Sua mão, e Lhe ordenou que os exercesse.20

13 Salmos 45:7; Atos 10:38; João 3:34
14 Colossenses 2:3
15 Colossenses 1:19
16 Hebreus 7:26
17 João 1:14
18 Hebreus 7:22
19 Hebreus 5:5
20 João 5:22,27; Mateus 28:18; Atos 2:36

 

Santificado, Ungido e Cheio de Poder

 

Este parágrafo traz à luz um componente importante para as duas naturezas de Jesus. A CFB1689 afirma que a natureza humana de Cristo foi santificada e ungida pelo Espírito Santo. Esta obra do Espírito Santo une as duas naturezas de Jesus. Na Sua natureza divina, Jesus não precisava dessa unção, mas Sua natureza humana recebeu esta “sobremaneira” medida da unção para suportar o que era necessário para a Sua obra mediadora. Além disso, aqui a CFB1689 reflete a redação de Colossenses sobre os “tesouros da sabedoria e do conhecimento” em Sua Pessoa (veja Colossenses 2:3). A exaltação e capacitação de Sua natureza humana tinha aplicações teológicas. O Mediador plenamente humano e plenamente divino é “plenamente qualificado para exercer” o seu Oficio. O propósito é seguro. O Pai determinou exaltar o Filho, e o Filho voluntariamente buscou e assegurou a redenção para um povo destinado a ser salvo. A união da natureza divina de Jesus com a Sua natureza humana exalta a Sua natureza humana pela obra de santificação e unção do Espírito para realizar o ofício de Mediador. John Owen estava certo quando disse que “a revelação feita de Cristo no bendito Evangelho é muito mais excelente, mais gloriosa e mais cheia de resplendor de sabedoria divina e bondade do que a criação inteira e a justa compreensão dela”.[11] Além de nos proteger do erro doutrinário, o capítulo VIII, em seus parágrafos 1 a 3 nos persuade a adorar o Deus Triuno cuja bondade em relação ao nosso estado deplorável é visto na provisão de nosso Mediador, Jesus Cristo, que foi santificado, ungido e capacitado pelo Espírito de Deus.

 

Conclusão

 

Os três primeiros parágrafos deste capítulo explicam aspectos críticos da Pessoa e obra de Jesus Cristo. O espaço não permite maiores discussões quanto à profundidade de Sua obra em nosso favor. A CFB1689 trata desses benefícios em termos soteriológicos (observe o que equivale a um ordo salutis: redimido, chamado, justificado, santificado e glorificado). A Escritura é clara que Deus nos falou por Seu Filho, o Senhor Jesus, que é a última revelação de Deus. Ele é o Profeta, o Verbo feito carne. Jesus estabelece uma Nova Aliança com o Seu povo através de Sua sublime obra sacerdotal. Ele nos reconcilia com Pai através da intercessão sacrificial. Ele nos transporta para o reino de Cristo, onde Ele governa em nossos corações e vive com justiça e paz.

 

[1] Tom Nettles, The Baptists: Key People Involved in Forming A Baptist Identity [Os Batistas: Pessoas Importantes Envolvidas na Formação de uma Identidade Batista], Vol. 1, Beginnings in Britain (Fearn, Ross-shire, Scotland: Mentor, 2005), 38.

[2] Samuel E. Waldron, A Modern Exposition of the 1689 Baptist Confession of Faith [Uma Exposição Moderna da Confissão de Fé de 1689], 3ª ed. (Durham, England: Evangelical Press, 1999), 127.

[3] Tom Nettles, “God and the Holy Trinity” [Deus e a Santíssima Trindade], Founders Journal, Verão de 2016, 105, 19–27.

[4] Graeme Goldsworthy, The Son of God and the New Creation [O Filho de Deus e a Nova Criação] (Wheaton, IL: Crossway, 2015), 36–37.

[5] João Calvino, Institutas da Religião Cristã.

[6] John Dagg, Manual de Teologia (Editora Fiel)

[7] Michael Horton, Doutrinas da Fé Cristã: Uma Teologia Sistemática para Peregrinos no Caminho (Editora Cultura Cristã).

[8] Idem.

[9] Ibid.

[10] Michael Bird, Evangelical Theology: A Biblical and Systematic Introduction [Teologia Evangélica: Uma Introdução Bíblica e Sistemática] (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2013), 485.

[11] John Owen, A Glória de Cristo (Editora PES - Publicações Evangélicas Selecionadas).

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