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Por que Negar a Justificação é um Erro Tão Sério? | Por Tom Hicks

A doutrina da justificação somente pela fé na justiça imputada de Cristo permanece em ataque direto em vários quadrantes. Sendo alguém que escreveu a sua dissertação de PhD sobre a doutrina da Justificação em Richard Baxter e em Benjamin Keach, estou convencido que modificar a doutrina esta bíblica é um erro teológico sério. Como pastor de uma igreja local, tenho observado como a doutrina da justificação humilha o orgulhoso, fortalece os fracos na fé, transmite segurança aos temerosos, encoraja os vulneráveis e motiva o amor autossacrificial. Negar esta doutrina é negar o coração e o poder do evangelho. Que o Senhor traga clareza teológica sobre esta doutrina para a sua própria glória e para o bem da sua amada noiva.

 

Razões Bíblicas do Porquê Negar a Justificação é um Erro Sério.

 

1. Negar a justificação é negar o coração do Evangelho. No início da carta do Paulo aos Romanos, ele nos diz que o Evangelho é poderoso para salvar. Ele diz: “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Romanos 1:16). E depois Paulo explica porque o Evangelho é o poder de Deus para a salvação. “Porque nele (no evangelho), se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito, o justo viverá pela fé” (Romanos 1:17).

 

Portanto, a justificação ou justiça pela fé para a vida é o poder do próprio Evangelho. Negar a justificação somente pela fé é negar o poder do Evangelho.

 

2. Negar a justificação é tropeçar. Paulo explicou porque uma grande parte de Israel nunca foi salva. Ele escreve: “Que diremos pois? Que gentios que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé, mas Israel que buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Porquê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da lei, pois tropeçaram na pedra de tropeço” (Romanos 9:30-32). Os que buscam um status de justo pelas suas próprias obras tropeçam no evangelho, que ensina que nós somos justos, não pelas nossas próprias obras, mas somente pelas obras de Outro.

 

3. Negar a justificação é receber a maldição da Bíblia. No início da sua carta aos Gálatas, Paulo emitiu uma forte advertência. “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gálatas 1:6-8). Um capítulo seguinte, corrigindo a heresia dos Gálatas, Paulo nos mostra que doutrina não devemos negar de modo a evitar a maldição. “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo... porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gálatas 2:15-16). No que diz respeito à justificação, Paulo nos diz claramente: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição” (Gálatas 3:10).

 

4. Negar a justificação é uma ofensa que garante a disciplina da igreja. Após advertir contra a busca da justificação pelas obras, Paulo informa aos Gálatas como proceder para com aqueles que negarem este ensino bíblico. Ele escreve: “Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre. De maneira que, irmãos, somos filhos, não da escrava, mas da livre” (Gálatas 4.30). Visto que negar a justificação é negar o próprio evangelho, os que procedem de tal modo deveriam ser “expulsos” da igreja.

 

Uma Objeção Comum Respondida

 

Apesar de todas as passagens acima citadas, alguns acreditam que justificação somente pela fé é uma doutrina secundária ou terciária. Eles afirmam: “podemos ser justificados somente pela fé, mas não somos justificados por acreditar na justificação somente pela fé”. Através desse raciocínio eles prosseguem afirmando que o homem pode ser salvo sem acreditar nesta doutrina crucial. Mas considere três pontos em resposta a essa afirmação.

 

1. Paulo não faz tal afirmação quando lidava com os que negavam a doutrina bíblica da justificação. Ele não diz aos gálatas: “Nós podemos ser justificados somente pela fé, mas não somos justificados por acreditar na justificação somente pela fé”. Pelo contrário Paulo afirmou que os que acreditavam e ensinavam o contrário à doutrina bíblica da justificação estavam amaldiçoados e precisavam ser expulsos da igreja.

 

2. Acreditar na justificação somente pela fé é acreditar que somente Cristo salva. Paulo afirma: “Não aniquilo a graça de Deus, porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde” (Gálatas 2:21). Os que não acreditam na doutrina bíblica da justificação somente pela fé não estão confiando somente em Cristo para sua justiça, e, portanto, estes não estão salvos. Isto não é para sugerir que alguém deve ter capacidade de articular todas as nuanças da justificação para ser salvo, apenas que em seu coração, ele deve acreditar na doutrina bíblica da salvação.

 

3. Tal afirmação mina a própria fé quando aplicada para qualquer outra doutrina central do Cristianismo. “Eu posso ser salvo somente por Cristo, mas não sou salvo por acreditar que sou salvo somente por Cristo”. “Eu posso ser reconciliado com Deus pelo sangue de Jesus, mas não sou salvo por acreditar que estou reconciliado com Deus pelo sangue de Jesus”. Tal princípio, aplicado consistentemente, levaria a um inclusivismo completo na melhor das hipóteses.

 


 

Leitura Adicional Sobre a Doutrina da Justificação

 

[Justification by Grace through Faith: Finding Freedom from Legalism, Lawlessness, Pride and Despair [Justificação pela Graça através da Fé: Encontrando a Libertação do Legalismo, do Antinomisom, do Orgulho e do Desespero], Por Brian Vickers

 

[Justification Reconsidered [Jusitifcação Reconsiderada], por Stephen Westerholm

 

[The Doctrine of Justification [A Doutrina da Justificação], por James Buchanan

 

The Pastor’s Justification [A Justificação do Pastor], por Jared Wilson

 

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