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B.H. Carroll e o Confessionalismo Robusto, por Tom Ascol

B.H. Carroll e o Confessionalismo Robusto, por Tom Ascol




Uma igreja deveria usar uma confissão de fé? Em caso afirmativo, quão robusta deve ser essa confissão? Embora poucos Batistas modernos estejam dispostos a se identificar com o lema Campbelliano: “Nenhum credo, senão Cristo; nenhum livro, senão a Bíblia”, eles parecem muito mais céticos ou até mesmo decididamente contrários ao uso de uma confissão de fé robusta por igrejas locais. No entanto, uma confissão extensa pode servir bem a uma igreja, especialmente em épocas de minimalismo doutrinário e confusão, tal como a nossa.

B.H. Carroll, o fundador e primeiro Presidente do Seminário Teológico Batista do Sudoeste, entendeu isso bem e não omitiu palavras em sua insistência em um confessionalismo robusto. Ele notou, com razão, a inextricável ligação entre a doutrina e a devoção, a fé e a vida. Ele escreve:

 

Todo o clamor moderno contra o dogma é realmente contra a moral. Quanto mais reduzimos o número de artigos do credo, mais enfraquecemos a religião na prática.

 

Uma vez que a Bíblia não é minimalista em sua revelação do que devemos crer e como devemos viver, tampouco devem ser nossas confissões. Comentando Efésios 4:1, Carroll insiste que as admoestações práticas de Paulo necessariamente são construídas sobre suas instruções doutrinárias.

 

Nem Cristo nem os apóstolos pregaram a moral em qualquer outro [fundamento] que não seja um fundamento doutrinário. Se devemos andar conforme a dignidade de nosso chamado, devemos primeiro conhecer a doutrina do chamado, isto é, ao que fomos chamados. E tudo em nossa “humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” depende das doutrinas anteriormente estabelecidas, caso contrário não há força no “pois” de Paulo. E qual das doutrinas nos três capítulos anteriores ou neste podemos omitir de nosso credo sem omitir algo proveitoso para nossa vida? O credo de um cristão deve aumentar, e não diminuir, até o último pronunciamento da revelação, a fim de que cada artigo possa ser transmitido à experiência.

 

A convicção de Carroll de que o verdadeiro cristianismo é doutrinário o levou a argumentar que o aumento da clareza teológica é inerente à santificação. Também o fazia suspeitar daqueles que sugerem que a confissão de fé de uma igreja deve ser mais breve do que completa.

 

Uma igreja com um credo pequeno é uma igreja com pouca vida. Com quantas mais doutrinas provindas de Deus uma igreja puder concordar, maior será seu poder e mais ampla sua utilidade. Quanto menores forem seus artigos de fé, menores serão seus laços de união e sua compacidade.

O clamor moderno: “Menos credo e mais liberdade”, é uma degeneração do sólido para o gelatinoso, e significa menos unidade e menos moralidade, e isso significa mais heresia. Uma boa definição da verdade não cria heresia — só expõe e corrige. Desistamos do credo e o mundo cristão se enche de heresia insuspeita e não corrigida, mas não menos mortal.

 

Uma robusta e sólida confissão de fé não corre o risco de tomar o lugar da Escritura ou ser elevada à mesma autoridade que a Escritura. A Segunda Confissão Batista de Londres, por exemplo, começa declarando que “As Sagradas Escrituras são a única, suficiente, correta e infalível regra de todo conhecimento, fé e obediência salvíficos”.

 

Nem o uso de uma confissão robusta por uma igreja requer que uma pessoa deva subscrevê-la completamente antes que ele ou ela esteja elegível à membresia. Novamente, a Confissão afirma no Capítulo 26, parágrafo 2:

 

Todas as pessoas, em todo o mundo, que professam a fé do Evangelho e obediência a Deus por meio de Cristo, de acordo com isso, não arruinando a sua própria profissão por quaisquer erros de subversão do fundamento, ou impureza de conversação, são, e podem ser chamadas de santos visíveis; e dos tais, todas as congregações particulares devem ser constituídas.

 

Enquanto deve ser esperado que líderes e professores na igreja afirmem a confissão mais plenamente, tal subscrição não é necessária para a membresia, uma vez que cada igreja saudável será composta de jovens, fracos e crentes que ainda não foram instruídos cuidadosamente.

 

Portanto, se sua igreja está pensando em rever ou adotar uma confissão de fé, não se contente com uma declaração mínima, alegando que fazê-lo será melhor para a congregação. Considere novamente a sabedoria de B.H. Carroll, cujas opiniões refletem uma época espiritualmente mais saudável da vida Batista do que atualmente desfrutamos:

 

De maneira muito solene, advertiria o leitor contra qualquer ensinamento que desacreditasse doutrinas ou que reduzisse o credo da igreja a dois ou três artigos.

Não temos direito a nenhuma liberdade nessas questões. É um pecado muito danoso ampliar a liberdade à custa da doutrina. Um credo consiste naquilo que acreditamos. Uma confissão de fé é uma declaração do que acreditamos. A igreja deve crer e declarar. O credo mais longo da história é mais valioso e menos danoso do que o mais curto. Se por um lado, “a fé” tem muitos artigos, por outro, há unidade neles. Eles se articulam. E é extremamente importante conduzir todos os membros da igreja à unidade no tocante a toda a fé.

 


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